quinta-feira, 13 de maio de 2021

 CONJURAÇÃO BAIANA, REVOLTA DOS ALFAIATES OU REVOLTA DOS BÚZIOS. 

Entre os principais líderes da Revolta dos Búzios, destacaram-se os soldados Luís Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas e os alfaiates Manuel Faustino dos Santos Lira e João de Deus Nascimento.

Primeiro, vamos descobrir o significado de conjuração. É uma associação, às vezes, por juramento, para um fim comum. Ou, uma reunião, associação ou grupo secreto e clandestino que articula a queda ou disposição de governo, partido politico ou conspira contra autoridade estabelecida.

Então, conjuração é uma reunião, neste caso para fins políticos. Vimos, os inconfidentes na ultima aula, hoje vamos nos focar, numa histórica pouca divulgada e conhecida, que é a conjuração baiana. Que foi um movimento que ocorreu em Salvador em 1798, com um proposito de destituir o governo português e criar uma república na Bahia. 



Primeiro vamos olhar para Salvador

Primeiro Salvador deixa de ser a capital do Brasil em 1763. E, a capital foi transferida ao Rio de Janeiro. Havia em Salvador em 1798 60 mil habitantes, dos quais 40 mil eram descendentes de negros; alguns escravos, outros livres. 



Eram tempos difíceis, o dinheiro não era suficiente para comprar o necessário; a carne e a farinha custavam mais do que os pobres podiam pagar. Havia muita miséria em Salvador, muita fome... Outrossim, os impostos eram altíssimos e pesava sobre a população. Enquanto que os brancos comiam do bom e do melhor, viviam regaladamente.

Também, chegavam noticias de fora. Todo mundo falava da revolução francesa e de seu lema: liberdade, igualdade e fraternidade. Chegara a notícia de que em Haiti, um pais controlado pela França, os escravos conseguiram sua liberdade politica, libertaram o Haiti! E, livros, literaturas invadiam o porto de Salvador espalhando noticias de liberdade e igualdade e fraternidade, entre os baianos. 



Os soldados negros ganhavam muito pouco, além disso, não podiam alçar voo na carreira militar. E, para piorar, o soldo, ou seja, salário era insuficiente, para sobreviver.

Então, um levante iniciou em Salvador, não mais comandado pela elite, mas pela população. Escravos, livres, comerciantes, alfaiates, artesãos, fazendeiros, médicos, a maçonaria “Cavalheiros da luz”,  todos, ansiavam por coisas melhores em seus dias. O que eles almejavam?

Almejavam que a Bahia não fosse mais controlada por Portugal –monarquia -, mas um regime republicano se instalasse. A república seria chamada: “REPUBLICA BAHINENSE” 


Almejavam que tivesse fabricas de roupas, por que todo vestuário vinha de Portugal ou da Europa.

Almejavam que os negros fossem libertados da escravidão. O ideal de igualdade da revolução francesa fazia com que todos, independentes da cor de sua pele, fossem iguais. 


Então, no dia do 12 de agosto de 1798, alguns cartais apareceram nas principais localidades de Salvador, conclamando o povo ao levante e uma nova maneira de vida, baseado em um regime republicano. 



 Mas, como na inconfidência mineira, temos os x-9, ou cagueta, e o mesmo nome: Joaquim. Lá em Minas, foi Joaquim Silvério, aqui na Bahia, foi Joaquim Veigas. Todos foram presos e somente quatro condenados à morte: dois soldados e dois alfaiates.

Em 08 de novembro de 1799, foram enforcados, no largo da Piedade: Lucas Dantas, Manuel Faustino, João de Deus e Luiz Gonzaga. Seus corpos foram esquartejados e pendurados em muitas partes da cidade.



João Vicente Pereira. 


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

                                          Estrada de ferro “Bahia Minas”

Olá, meus caros alunos, hoje, vamos falar de um assunto que tem tudo a ver com a nossa região, que é estrada de ferro “Bahia Minas”. Nesse tempo, época que tínhamos um imperador (Dom Pedro 2), Bahia ainda se escrevia sem o “h”. Foi nesse tempo imperial que começou a circular os trens em direção ao porto de Caravelas, ponta de areia BA.

Então, como começou? Esse projeto político era do mineiro Teófilo Otoni (1807 – 1869). Somente depois de 11 anos de sua morte o governo mineiro concedeu a empreitada da construção da ferrovia ao engenheiro civil Miguel de Teive e Argolo (hoje o povoado de Argolo homenageia o engenheiro). E no dia 16 de maio de 1881, com grande festa, foi fixado o primeiro trilho da estrada de ferro, era o KM 0 da ferrovia. 

O KM 0 encontra-se em Caravelas, em Ponta de Areia. Depois, passa por Helvécia, Posto da Mata (Km 103). Em 1882, a ferrovia chega em Serra dos Aimorés. Somente em 1898 chegou à cidade mineira de Teófilo Otoni. Que dia, meus caros alunos! Os sinos da igreja badalaram, a multidão foi para rua, e ouvia-se estouros de morteiros e de bombas cabeça-de-negro “cobriu de fumaça o céu azul”. E seu ponto final e definitivo, foi em Araçuaí, em 1942. No total, de Ponta de Areia, Caravelas BA, até Araçuaí MG, foram quase 580 km de ferrovia. 

A estrada de ferro “Bahia Minas” estava todo vapor para transportar madeira, café, desenvolver o comércio local de cada ponto onde passava o trem, tornar rápida as viagens e acelerar o desenvolvimento de cada localidade. Era corriqueiro na vida dos mineiros e baianos ouvir o som da “Maria Fumaça” passando pelas suas cidades, trazendo e levando mercadorias e pessoas. Em Posto da Mata, temos até os dias de hoje, o posto onde parava o trem; em Aimorezinho (Ibiranhém), em Helvécia, enfim, temos vestígios de uma época cheia de vida e de esperança. 

Portanto, esses quase 600 km de ferrovia tinham como objetivo a ligação da região do vale do Jequitinhonha (uma região sofrida, com pouca chuva), até o litoral da Bahia para expandir o comércio de transporte de cargas, madeiras, café, serviços, como telégrafos (uma espécie de telefone/fax), transportes de pessoas e atividades sociais comunicativas. Chegando em Ponta de Areia, Caravelas, todas as mercadorias e pessoas embarcavam em navios em direção aos grandes portos do Brasil.

Contudo, como a gente sabe o velho ditado “tudo que é bom, duro pouco”. Depois de quase mais de oito décadas, a ferrovia deixou de funcionar em 1966. Deixando imensa saudade na população dos vales do Jequitinhonha e Mucuri. Hoje, vemos estações abandonadas, dormentes, algumas viraram Correios ou Policia Militar... estradas vicinais e eucaliptos, uma pagina da história descarrilou.

Bem, de lá para os dias de hoje, a ferrovia “Bahia Minas” foi cantada em prosa e rendeu livros – o mais famoso lamento está contido na musica “Ponta de Areia”, composta por Fernando Brant e Milton Nascimento, vejamos a letra da canção:

Ponta de areia
Ponto final
Da Bahia-Minas
Estrada natural

Que ligava Minas
Ao porto, ao mar
Caminho de ferro
Mandaram arrancar

Velho maquinista
Com seu boné
Lembra o povo alegre
Que vinha cortejar

Maria-fumaça
Não canta mais
Para a moça, as flores
Janelas e quintais

Na praça vazia
Um grito, um ai
Casas esquecidas
Viúvas nos portais

Maria-fumaça
Não canta mais
Para a moça, as flores
Janelas e quintais

Na praça vazia
Um grito, um ai
Casas esquecidas
Viúvas nos portais

E, agora, o que poderia acontecer com a nossa região? O apego á ferrovia além de econômico era também emocional. Uma simbiose, um cordão umbilical de quase oitenta anos, aliás, muita gente abandonou a cidade, acreditando que a região estaria acabada. . No entanto, depois da desativação da ferrovia, o que parecia o fim, foi apenas o começo de uma nova era. A rodovia que havia sido prometida se concretizou e o lugar virou ponto de parada de vários caminhoneiros, ônibus, turistas, etc.

No idos dos anos 80 (1980) e inicio dos anos 90, o plantio de mamão empregou desde o mais velho ao menino na região, fortalecendo e dinamizando, trazendo uma prosperidade econômica significativa. Aqui, temos uma terra boa, uma terra que, conforme Pero Vaz de Caminha, em uma carta em 01 de maio de 1500, endereçada ao Rei de Portugal,  estando no extremo sul da Bahia, escreveu: “em se plantando tudo dá”. Portanto, na opinião dos moradores mais antigos, fora o plantio de mamão que proporcionou a melhor época de vista econômico para a região. 

 Alguns fatos importantes de Posto da Mata:

Desativação da Ferrovia Bahia Minas no final dos anos 70.

A criação da primeira escola de Posto da Mata: Colégio Municipal Vera Cruz em 1963.

Chegada da Aracruz Celulose à região

Fornecimento de energia pela Coelba em 1978

A fundação do banco do Brasil em 1991


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

 Rafael, o Anjo Negro de Pedro II.

 


Ao deixar o país, o imperador Pedro I selecionou três pessoas (José Bonifácio, “Dadama” Condessa de Belmonte e Rafael) para cuidarem de seu filho e das filhas remanescentes, uma das pessoas escolhidas foi Rafael, um veterano negro da Guerra da Cisplatina.

 

Rafael era um empregado do paço de São Cristóvão (não era escravo) em quem Pedro I possuía profunda confiança e lealdade, pedindo que olhasse por seu filho, um olhar mais carinhoso e paternal — pedido que levaria a termo pelo resto de sua vida.

 

Rafael, o Anjo Negro de Pedro II.

 

Rafael, negro veterano da Guerra da Cisplatina, foi encarregado de cuidar de Dom Pedro II, então de tenríssima idade pelo seu pai o Imperador Dom Pedro I, quando este regressou a Portugal em 1831.

 

Rafael, foi mandado vir em 1831 do Sul, Pedro I conhecia-o bem. Foi um protetor incansável e extremamente abnegado de Pedro II ainda menino.

Dormia no mesmo quarto, evitava que o Imperador chorasse ou se assustasse “com medo das almas de outro mundo” e outras fantasias tão próprias da solidão, em que prevaleciam estudo áridos, religião, serões insípidos e jogos de mesa silenciosamente praticados – era a educação principesca!

 Nisso relata-nos Benedito Freitas:

“Incumbido da guarda e proteção de Dom Pedro II ainda em tenra idade (5 anos), foi de uma dedicação tal que, até determinadas atribuições das Damas, ele as executava com desembaraço e plena eficiência.

 Dava-lhe os banhos habituais tendo todo o cuidado com a temperatura da água, bem morna sem ser quente, mudava-lhe a roupa e cobria na cama, cabeça de fora, a bela criança pedia ao seu Anjo Negro para contar histórias e outras coisas em que era fértil seu leal servidor.

 Certo dia ainda na época que Dona Leopoldina era viva, ficou enternecida ao contemplar Rafael aquecendo a mamadeira do Menino-Imperador.

Quando Dom Pedro II não sabia a lição, corria para Rafael pedindo-lhe para o esconder, embora fosse condicionado sempre, que seria a “última vez” ….

 Mais tarde Dom Pedro II ensinou Rafael a ler, escrever, falar francês e inglês.

 Por muito tempo Rafael foi 1º Criado Particular do Imperador e em todas as viagens, mesmo ao estrangeiro, o acompanhou de perto.

 A única presença não masculina de tanta cumplicidade era a Condessa de Belmonte, chamada sempre carinhosamente de “Dadama”.

 A figura quase lendária de Rafael é amplamente descrita no belo livro de Múcio Teixeira, que foi comensal do Imperador por mais de trinta anos, “O Negro da Quinta Imperial”.

 Rafael contava com 98 anos quando Dom Pedro II foi deposto.

 O “Anjo Negro” do Imperador ignorava o doloroso episódio da prisão do seu menino.

 Múcio conta a cena da comunicação ao leal macróbio, nas seguintes linhas: “Manhã sombria.

 Uma chuva miúda caíra pela madrugada do dia 16 de novembro de 1889.

As vastas alamedas da Quinta Imperial estavam desertas….

 Rafael, mal raiara a aurora, abandonou seus aposentos, nos baixos do torreão sul, e, muito tremulo, amparado por um rijo bastão, deu início ao seu passeio habitual.

 Velho e cansado, passara o dia anterior preso ao leito, ignorando que a República havia sido “proclamada” no Brasil.

 Vagarosamente caminhava, ouvindo o gorjeio dos pássaros e contemplando, com olhar nostálgico, os lagos sonolentos.

 Fitava também os bosques sombrios e admirava a Natureza exuberante.

Quantas daquelas árvores gigantescas ele vira nascer, florir e envelhecer!

Caminhava e meditava, olhando também para o passado, para a sua longínqua mocidade!

 Quantos sonhos desfeitos!

 “Como é triste envelhecer!” – murmurava o velho pajem imperial.

Ao chegar ao portão da Coroa, já ofegante, observou com espanto dois soldados que davam “vivas a república”!

 Sempre meditando, lentamente regressou ao Paço.

 Ao aproximar-se do solitário Palácio Imperial, viu o bibliotecário Raposo muito agitado, com cabelos revoltos, andando de um lado para outro lado…

Rafael, muito cansado, curvado e tremulo, sempre amparado pelo seu bastão, dirigiu-se ao bibliotecário do Paço e interrogou-lhe:

“Seu Raposo, você enlouqueceu?”

 Parando diante do Rafael, o Raposo, como louco, bradou: “

Rafael, tu não sabes que ontem foi proclamada a República e que teu “menino” está preso no Paço da Cidade??”.

 Rafael, atordoado, deixou cair o forte bastão de ouro e jacarandá, no qual a vinte anos se apoiava seu débil corpo;

curvado, ergueu-se, cresceu…

 O seu olhar morto e nostálgico, transfigurou-se, como que iluminado por clarões estranhos.

 Levantou o braço direito para o céu e exclamou com voz comovente e sonora:

“Que a Maldição de Deus caia sobre a cabeça dos algozes do meu Menino!”

E em seguida rolou por terra: estava morto.”

 No mesmo momento em que o navio Alagoas cruzava a baía de Guanabara com seu menino e toda família imperial ...

 Ele faleceu aos seus 99 anos em um simples desmaio.

 São as “pequenas” grandes Histórias do Brasil Império, que não são contadas nas Escolas e não fazem parte do currículo, que lamentavelmente fazem-se esquecer nas prateleiras do esquecimento, legando ao Brasil uma cultura de botequim, moldada e forjada pelos sensos comuns grotescos que vemos nas novelas e filmes nacionais.

 

EQUIPE PEDRO II DO BRASIL

terça-feira, 21 de abril de 2020


21 de abril: inconfidência mineira.




Hoje, é feriado nacional, dia do Tiradentes, ou Joaquim José da Silva Xavier.  E, portanto, dia da Inconfidência mineira.  Sempre em sala de aula, pergunto para os meus alunos “o que é inconfidência”? Eles hesitam e não conseguem ligar inconfidência com confidencia. Novamente eu pergunto, “tem alguém na sala de aula que você confidencia seus segredos”? Então, consigo uma resposta satisfatória. E, vou para terceira pergunta “se esse teu amigo começar a contar para os demais meninos da escola o teu segredo, ele é o que”? Muitos gritam do fundo da sala: X9, cagueta, traidor, Judas Iscariotes, etc. Então eu digo, ele é um inconfidente. 



1)  QUE É CONFIDENTE E INCONFIDENTE? 


Então, esse movimento é chamado de inconfidência pela falta de lealdade ao rei de Portugal. Nesses tempos, o Brasil era colônia de Portugal. O que era ser colônia de Portugal? Nada menos nada mais do que tirar toda nossa riqueza e mandar embora, enviar para Portugal e demais países europeus. Por exemplo, o pau brasil, um madeira valiosíssima que usava para tingir roupas, fora tirado e enviado à Europa. Outrossim, todo ouro, diamante, pedras preciosas encontradas na região de Minas Gerais, durante o inicio do século XVIII, tudo mandado para Portugal...e Europa.  


2) O QUE ERA SER COLONIA DE PORTUGAL?


Assim, estava acontecendo nos dias de Tiradentes, que era um alferes, um sargento, e nas horas vagas tirava o dentes das pessoas. Nesse tempo, no Brasil, tudo vinha de fora, nada se podia fabricar, nada! Ordem de Dona Maria, rainha de Portugal, mãe de Dom João VI, avó de Dom Pedro I, bisavó de Dom Pedro II. Todo minério achado nas minas tinha que pagar o quinto, que consistia 20% de tudo que era achado. Aí, veio a expressão, “quinto dos infernos”, porque esse imposto sobrecarregava demasiadamente os colonos brasileiros. Ninguém estava aguentando tamanho imposto... 


3) QUEM ERA TIRADENTES? EM QUE CONSISTIA O QUINTO?


Então, alguns cidadãos de Vila Rica, começaram a discutir sobre os impostos em algumas casas. Eram cidadãos da elite mineira, pessoas estudadas em Coimbra, Portugal, poetas, contratadores, etc. E, Tiradentes, começou a fazer parte dessas conversas, que na maioria das vezes, questionava os impostos pesados de Portugal. Até que um dia, resolveram tomar uma decisão, vamos acabar com isso, vamos tomar Vila Rica, matar o representante de Portugal e estabelecer um regime republicano, criar todo tipo de fábrica, fundar uma universidade. Somente, não quiseram a libertação dos negros, porque entre os inconfidentes muitos eram fazendeiros e donos de escravos.

4) QUEM ERAM OS INCONFIDENTES? E O QUE ELES ALMEJAVAM? 

Assim, inicia o movimento, em 1789, em Vila Rica, atualmente Ouro Preto. Nessas noites de conversas, eles criaram a bandeira da inconfidência cujo lema era: Libertas quae seras tamem, ou seja, liberdade ainda que tardia. O tema liberdade, vem do Iluminismo, da independência americana de 1776 e da revolução francesa, cuja lema era: liberté, fraternité e egalité– liberdade, fraternidade e igualdade. O direito da liberdade política, não ser mais colônia de Portugal, o direito da fraternidade entre os cidadãos e, principalmente, a igualdade de condição. 

5) O QUE ESTÁ ESCRITO NA BANDEIRA DE MINAS GERAIS? QUAL É O SEU SIGNIFICADO? 

6) FAÇA UMA BANDEIRA EM SEU CADERNO E PINTE COM AS SUAS CORES.

Mas, no meio deles havia Joaquim Silvério dos Reis, contratador e tinha dividas com Portugal. Então, ele chegou ao governador e contou tudo em troca do perdão das dividas. Todos os inconfidentes foram presos, todos negaram a participação no movimento, menos Tiradentes. Alguns deles foram enviados à Africa, o poeta se suicidou dentro da cela e somente Tiradentes recebeu a sentença máxima: enforcamento. 




7) QUEM FOI O TRAIDOR E O QUE ACONTECEU COM OS INCONFIDENTES? 


Nos livros de história temos muitas imagens de Tiradentes, muitas. No entanto, não sabemos exatamente como ele era fisicamente. Porquanto, essas imagens são da época do Brasil República, ou seja, mais de cem anos depois. O que sabemos, pelos documentos, é que no dia 21 abril de 1792, ele foi enforcado e depois o seu corpo cortado em vários pedaços, conforme a famosa pintura de Pedro Américo. A ordem de cortar o corpo em vários pedaços veio de Portugal, da Rainha, para que servisse como lição aos brasileiros que tentasse se levantar contra Portugal. E, assim, temos um dos primeiros heróis na história do nosso país. 





8) VEJA A PINTURA DO DE PEDRO AMÉRICO "TIRADENTES ESQUARTEJADO", ENTÃO SURGE UMA PERGUNTA: POR QUE ELE FOI ESQUARTEJADO? 


Texto do professsor João Vicente Pereira, professor de história do ensino fundamental. 

PERGUNTAS:



ESPERO, MEUS ALUNOS, SUAS RESPOSTAS ...




terça-feira, 15 de novembro de 2016

PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA

QUINZE DE NOVEMBRO DE 1889. O marechal Deodoro da Fonseca, no Campo de Santana, no Rio, reúne 600 militares e uns poucos civis para destituir a Monarquia brasileira, sem derramar uma gota de sangue. Em cerimônia improvisada na Câmara Municipal carioca, a República é proclamada. Chegado o momento das comemorações, constata-se que não há símbolos para celebrar a mudança de regime. Canta-se "A Marselhesa", hino da França, e é hasteada uma bandeira com desenho semelhante à americana nas cores verde e amarelo. É urgente, percebem os republicanos, substituir os símbolos do regime.

Como narram os jornais da época, o povo brasileiro mal entendia o que se passava. Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto, Benjamin Constant, Quintino Bocaiúva, Silva Jardim, protagonistas do movimento republicano que Brasil, eram pouco conhecidos dos brasileiros. "Ninguém parecia muito entusiasmado", anotou o correspondente do New York Times. "O povo assistiu àquilo bestializado, atônito, surpreso, sem conhecer o que aquilo significava", escreveu Aristides Lobo no Diário Popular.
Na tentativa de conquistar o apoio da população até então alheia a troca de regime, os republicanos esforçaram-se nos meses seguintes para criar e difundir marcas da República – e apagar vestígios do Império de D.Pedro II. Cidades se encheram de estátuas e outros monumentos à República. Ruas, praças e repartições com referências à monarquia mudaram de nome. Mas as grandes apostas de exaltação da República seriam: uma nova bandeira, um novo hino e um novo herói – ou quase isso.

 A DEFINIÇÃO DE UMA NOVA BANDEIRA.

Assim como outros embates travados nos primeiros dias da República, foi marcada pelo conflito entre três correntes ideológicas: o jacobinismo (ligado à Revolução Francesa), o positivismo e o liberalismo. Partidários dessa última escola chegaram a cogitar uma bandeira brasileira semelhante à americana, com listras horizontais amarelas e verdes e um quadrado do lado esquerdo com as estrelas das federações. Como a proclamação fora liderada por militares positivistas e jacobinos, não caiu nada bem a ideia de subordinar o estandarte brasileiro ao norte-americano.


Outras versões foram propostas por defensores das diferentes vertentes ideológicas em conflito (veja abaixo). No fim, a vitória coube aos positivistas, que optaram por manter as cores e formas básicas da bandeira monárquica, retirando os emblemas imperiais: a cruz, a coroa, os ramos de café e tabaco. As estrelas, mantidas por insistência dos liberais, por lembrar a flâmula americana, foram colocadas em um círculo. E tascaram a mais positivista das inscrições: “Ordem e Progresso”. A obra foi do pintor Décio Villares.
Bandeira imperial 
·         Verde - A Casa de Bragança (Dom Pedro I)
·         Amarelo - A Casa de Habsburgo (Dona Leopoldina)
·         Losango - Remete às bandeiras do exército napoleônico
·         Brasão azul com a esfera armilar - Presente desde a bandeira do Principado do Brasil, remete à tradição portuguesa
·         Cruz vermelha - Referente à ordem de Cristo
·         Anel azul carregado com 20 estrelas de prata - Referentes às 20 províncias do Brasil
·         Dois ramos - um de café, o outro de tabaco, representando a agricultura brasileira


Bandeira republicana 


·         Verde e amarelo - Interpretações a posteriori atribuíram as cores às riquezas naturais e minerais do país. Essa explicação, porém, não constava da justificativa de Teixeira Mendes para a nova bandeira

·         Estrelas no céu azul - Reprodução do céu do Rio de Janeiro na manhã de 15 de novembro de 1889, com as estrelas representando os Estados da Federação

·         "Ordem e Progresso" - A influência dos positivistas na proclamação da República. Augusto Comte (1798-1857), principal ideólogo do positivismo, escreveu: “O amor por princípio, a ordem por base, e o progresso por fim”. No caso brasileiro, deixaram de fora o amor.

Coube a Teixeira Mendes, um filósofo positivista, a tarefa de justificar o emblema. Escreveu: “...o símbolo nacional devia manter do antigo tudo o que pudesse ser conservado, de modo a despertar em nossa alma o mais ardente culto pela memória de nossos avós. Mas, por outro lado, devia também eliminar tudo quanto pudesse perturbar o sentimento da solidariedade cívica, por traduzir crenças que não são mais partilhadas por todos os cidadãos. Foi justamente o que se fez.”
O símbolo não foi aceito por todos. Duas polêmicas foram levantadas à época: um astrônomo contestou as dimensões do Cruzeiro do Sul na bandeira, dizendo que o eixo da constelação em relação ao polo sul estava invertido (o erro foi comprovado e a bandeira que usamos hoje foi modificada para corrigi-lo). Outra controvérsia foi que o bispo do Rio de Janeiro se recusou a abençoar a nova bandeira por causa da divisa "Ordem e Progresso". Para ele, tratava-se de apologia à Igreja positivista.
No final, apesar da inspiração positivista, as cores da bandeira monárquica foram preservadas: o verde e o amarelo, a despeito de interpretações posteriores que tentam ligá-los às riquezas naturais do país, remetem originalmente às casas imperiais de Bragança e Habsburgo.

Velho novo hino


POR INCRÍVEL QUE PAREÇA, a manutenção do hino nacional monárquico foi uma vitória popular. Proclamado o novo regime, não havia uma composição oficial para glorifica-lo. A primeira adotada nos eventos oficiais foi A Marselhesa, emprestada da Revolução Francesa. O governo abriu então um concurso para a escolha de um novo hino. Mas um evento popular acabou mudando os rumos dessa história.
Em uma manifestação militar em 15 de janeiro de 1890, ao ouvir novamente A Marselhesa e outras marchas militares, a multidão começou a pedir, como quem pede "toca Raul!", pelo velho hino nacional. Deodoro da Fonseca, primeiro presidente do Brasil, decidiu deixar rolar. Há relatos de que presentes até choraram de emoção.
Na audição pública do concurso que havia sido marcado, conta-se que a qualidade média das canções era sofrível. Resultado: se é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, o hino fica. A composição de Francisco Manuel da Silva,de 1822, foi mantida e a ela foi acrescentada letra de Joaquim Osório Duque-Estrada.
O concurso do governo para o hino nacional tornou-se, então, uma disputa para eleger certo hino da proclamação da República. Em 20 de janeiro de 1890, membros do governo provisório e uma plateia que lotou o auditório do Teatro Lírico reuniram-se para escolher o vencedor. Ganhou a composição de Leopoldo Miguez, para letra de Medeiros e Albuquerque, cujo refrão diz: 'Liberdade! Liberdade! Abre as asas sobre nós!'
Após a execução do novo hino da Proclamação da República, o povo puxou o hino nacional, como acontecera no evento militar dias antes. Não tinha para ninguém contra o maior hit do patriotismo brasileiro.

A invenção de um herói


OS PRINCIPAIS IDEALIZADORES DA REPÚBLICA, Deodoro da Fonseca, Floriano Peixoto e Benjamin Constant, não eram figuras conhecidas além dos círculos militares. A pouca participação popular tornava difícil a consagração de um mito, importante para a aceitação do novo regime. "Heróis são símbolos poderosos, encarnações de ideias e aspirações, pontos de referências, fulcros de identificação", escreveu o historiador José Murilo de Carvalho.
Tiradentes, único dos inconfidentes mineiros condenado à morte, surpreendentemente, caiu como uma luva para o papel de herói.
O mito em torno de sua figura foi criado após sua morte. O mineiro passara quase um século na obscuridade, como traidor da monarquia. Como não havia registros de sua imagem e seus pensamentos, a República teve liberdade para criá-los: tornou-se um idealista pela liberdade do Brasil e suas representações passaram a se assemelhar com as da figura de Cristo — cabelos longos, castanhos, olhar cândido, vestes brancas, crucifixo no peito.
A República se apropriou de Tiradentes como o mártir da República. Foi a mais eficaz das tentativas dos republicanos na construção de um imaginário para o novo regime.