A história de Tiradentes
Mas a riqueza não ficava no Brasil, ia para Portugal. O rei de Portugal controlava tudo, todo ouro encontrado. O imposto era o quinto, ou seja, vinte por cento de todo ouro extraído. Com o tempo, isso deixou de ser suficiente, agora, Portugal passou a exigir uma cota de cem arroubas de ouro, cerca de mil e quinhentos quilos por ano. Não importava a produção real, se esse valor não fosse atingido, entrava em cena a derrama. Na prática, era uma cobrança forçada. Autoridades podiam entrar nas casas, tomar seus bens, recolher objetos de valor e cobrar o que faltava à força.
Com o tempo o ouro foi diminuindo e a pressão de Portugal continuava aumentando, até que em Vila Rica começou a insatisfação. Muitos cidadãos começaram a se reunir para questionar, criticar as decisões do rei de Portugal. É aqui que surge nosso personagem: Tiradentes, ou, Joaquim José da Silva Xavier. Ele não era da elite mineira, era alferes (baixa patente militar), também trabalhava como dentista, comerciante e tropeiro. Estava sempre andando e conversando com as pessoas. Falando sobre independência, impostos altos, uma possível ruptura com Portugal.
Mas havia uma diferença entre ele e os outros revoltosos: os poderosos de Vila Rica conspiravam contra o rei de Portugal (cochichavam entre eles), enquanto Tiradentes expunha abertamente seus pensamentos ao povo da cidade.
O que eles queriam? Criar uma república independente em Minas Gerais, acabar com os impostos abusivos, assumir o controle político da região. Mas, não queriam libertar o Brasil de Portugal e muito menos, libertar os negros da escravidão. Porque a maioria dos inconfidentes eram fazendeiros e dependiam da mão de obra escrava. Fizeram até a bandeira da inconfidência mineira, cujo tema era: “Liberdade ainda que tardia”.
Mas, Joaquim Silvério dos
Reis, um dos revoltosos (poderosos), devia cerca de 220 contos de réis a coroa
portuguesa. Então o que ele fez? Delatou todos os inconfidentes em troca do
perdão da dívida! Em março de 1789, procurou o governador de Minas Gerais e revelou
tudo, falou todos os planos dos revoltosos. A reação foi imediata: todos foram
presos, a maioria recuou, negou, mas somente Tiradentes manteve sua palavra, não
retrocedeu. Ele assumiu, manteve suas
ideias. Ele foi preso em maio de 1789, passou três anos na prisão, foi
interrogado repetidamente; já os outros conjurados minimizaram sua participação.
Em abril de 1792, veio a sentença: enforcamento. Em 21 de abril de 1792 além de ser enforcado foi esquartejado, seu corpo foi exposto em diferentes lugares de Minas Gerais. Como lembrete: quem se levantar contra o rei de Portugal teria o mesmo fim!





