quarta-feira, 23 de setembro de 2026

 

A história de Dandara.  A guerreira que viveu no Brasil e preferiu a morte à escravidão

Ela se jogou de um penhasco, não porque quis morrer, mas ela preferiu morrer a ser escrava. Dandara dos Palmares nasceu por volta de 1654, não se saber se foi na Africa ou no Brasil. Ainda menina juntou ao quilombo dos Palmares, no interior de Alagoas, escondida no topo da Serra da Barriga, a maior comunidade de pessoas livres.

Dentro do quilombo, Dandara, não era apenas uma moradora, ela dominava a capoeira com uma precisão que impressionava até os guerreiros mais experientes. Treinando ao lado de homens, sem nenhuma distinção. Ela também ajudava na produção de alimentos do Quilombo. Viver no Quilombo, não era somente lutar, mas sobreviver ao cerco constante dos império português.

Ela se tornou esposa de Zumbi e tiveram três filhos: Aristogiton, Armódio e Motumbo. Mas o casamento não diminuiu seu papel de guerreira. Pelo contrário, Dandara sentava-se ao lado de Zumbi nas decisões mais importantes do Quilombo ajudando a planejar a estratégia de defesa que vinham quase todos os anos. Dandara e Luísa Mahin não são reais

Em 1678, o antigo líder de Palmares, Ganga Zumba, fez um acordo com a coroa portuguesa. Os que já viviam no Palmares seriam libertados, mas qualquer pessoa escravizada que chegasse fugindo depois disso, seria devolvida ao seu dono.

Para Dandara isso era inaceitável, não era liberdade, era liberdade somente para alguns, enquanto se fechava a porta para quem ainda sofria lá fora. Ao lado de Zumbi, ela rejeitou ao acordo, e os dois assumiram juntos a liderança da resistência armada. Por quase vinte anos, Dandara e Zumbi, defenderam Palmares de expedição enviada pela coroa para destruir o Quilombo. E ataque, após ataque, Palmares resistia. Até que, 1694, depois de semanas de cerco brutal, as tropas do Bandeirantes Domingos finalmente conseguiram invadir o Quilombo.

A resistência, depois de décadas, começou a desmoronar, Dandara foi capturada com vida pelas tropas do governo português. Mas ela não aceitou o que viria a seguir. Diante dos soldados, sem corrente, sem chance de fuga, ela correu até a beira de um penhasco e se jogou. Escolheu a morte, a viver mais um dia, como propriedade de outro homem. Zumbi, resistiu por mais um ano, até ser traído e morto, em 1695. Mas o nome de Dandara sobreviveu ao tempo, como uma mulher corajosa.

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