A história de Dandara.
Ela se jogou de um penhasco, não
porque quis morrer, mas ela preferiu morrer a ser escrava. Dandara dos Palmares
nasceu por volta de 1654, não se saber se foi na Africa ou no Brasil. Ainda
menina juntou ao quilombo dos Palmares, no interior de Alagoas, escondida no
topo da Serra da Barriga, a maior comunidade de pessoas livres.
Dentro do quilombo, Dandara, não
era apenas uma moradora, ela dominava a capoeira com uma precisão que
impressionava até os guerreiros mais experientes. Treinando ao lado de homens,
sem nenhuma distinção. Ela também ajudava na produção de alimentos do Quilombo.
Viver no Quilombo, não era somente lutar, mas sobreviver ao cerco constante dos
império português.
Ela se tornou esposa de Zumbi e
tiveram três filhos: Aristogiton, Armódio e Motumbo. Mas o casamento não
diminuiu seu papel de guerreira. Pelo contrário, Dandara sentava-se ao lado de
Zumbi nas decisões mais importantes do Quilombo ajudando a planejar a estratégia
de defesa que vinham quase todos os anos.
Em 1678, o antigo líder de
Palmares, Ganga Zumba, fez um acordo com a coroa portuguesa. Os que já viviam
no Palmares seriam libertados, mas qualquer pessoa escravizada que chegasse
fugindo depois disso, seria devolvida ao seu dono.
Para Dandara isso era inaceitável,
não era liberdade, era liberdade somente para alguns, enquanto se fechava a porta
para quem ainda sofria lá fora. Ao lado de Zumbi, ela rejeitou ao acordo, e os
dois assumiram juntos a liderança da resistência armada. Por quase vinte anos,
Dandara e Zumbi, defenderam Palmares de expedição enviada pela coroa para
destruir o Quilombo. E ataque, após ataque, Palmares resistia. Até que, 1694,
depois de semanas de cerco brutal, as tropas do Bandeirantes Domingos finalmente
conseguiram invadir o Quilombo.
A resistência, depois de décadas,
começou a desmoronar, Dandara foi capturada com vida pelas tropas do governo português.
Mas ela não aceitou o que viria a seguir. Diante dos soldados, sem corrente,
sem chance de fuga, ela correu até a beira de um penhasco e se jogou. Escolheu a
morte, a viver mais um dia, como propriedade de outro homem. Zumbi, resistiu
por mais um ano, até ser traído e morto, em 1695. Mas o nome de Dandara sobreviveu
ao tempo, como uma mulher corajosa.
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